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Marco Nanini recebe troféu Eusélio Oliveira das mãos de Luiz Carlos Barreto
Marco Nanini (O Bem Amado), o Lineu da série de TV A Grande Família, foi homenageado na noite desta sexta-feira (1°) em Fortaleza (CE) durante a abertura da 22ª edição do Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema. Nanini recebeu o troféu Eusélio Oliveira das mãos do diretor Luiz Carlos Barreto, em cerimônia realizada no Cine Theatro José de Alencar, em Fortaleza.
O ator e se junta a um seleto grupo de artistas como Patrícia Pillar e Giulia Gam, homenageadas em outras edições do evento. Bem-humorado, Barreto disse que entregava a estatueta com desgosto. “Porque em 50 anos de produção nunca trabalhei com o Nanini”, afirmou o produtor. Nanini agradeceu e disse que se sentia honrado pela homenagem.
Durante coletiva de imprensa, que aconteceu pouco antes da cerimônia de abertura, Nanini foi questionado sobre o motivo pelo qual decidiu assumir sua homossexualidade publicamente (o ator fez a declaração em 2011 à revista Bravo): “Tive vontade. A declaração saiu com simplicidade. Também resolvi falar porque há uma questão de homofobia que vem crescendo e é perigosa. Que não precisa ter”.
Apesar de ter se pronunciado publicamente, o ator disse que prefere evitar rótulos. “Não gosto da história de você ter que colocar a estrela rosa. Acho isso cafona (risos). Você botar um crachá para dizer [que é homossexual]. O que interessa se você é gay, gordo ou magro?”, revelou, explicando o porquê de ter evitado o tema até então.
“Havia sempre uma pressão de algum tipo de revista que precisa abordar esse assunto e eu não gosto de responder essa pergunta assim. Não é por nada, só não é do meu temperamento”. O ator reafirmou que resolveu falar por causa da violência: “Achei que com esse momento de homofobia crescente eu precisava me colocar. Senti necessidade de me colocar. Era importante”.
Depois, descontraído, brincou: “Também o que interessa o que um senhor de 64 anos faz embaixo das cobertas? Interessa que você não pode humilhar nenhuma criatura e nem bater com uma chave de fenda seja em quem for. Isso que é esquisito. Bater porque é isso ou aquilo. Discriminar porque é pobre, ou é burro, ou porque não tem cultura, ou porque tem”, concluiu.
A abertura do Cine Ceará também contou com a exibição do longa metragem Violeta foi para o céu, do cineasta chileno Andrés Wood. A obra é baseada na história da cantora e compositora chilena Violeta Parra. O Festival vai até o dia 8 de junho e, entre o sábado (2) e a quinta-feira (7), as sessões serão abertas ao público e gratuitas.
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