Nome da Semana: Yuri Maizon

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MAIS: William Bonner
Por FAMOSIDADES
SÃO PAULO - Depois de uma participação frustrada no programa "The Voice Brasil", Yuri Maizon, 34 anos, se tornou o Nome da Semana. Indígena da aldeia de Jatobá, em Tangará da Serra (MT), ele encantou o País ao se apresentar no palco do reality show – e mais ainda ao ser eliminado da competição. Para ele, no entanto, a negativa foi a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido. “O programa disse não para mim e isso foi muito interessante. O ‘não’ repercutiu muito mais do que se eu tivesse recebido ‘sim’. Achei que iria chorar de tristeza, mas hoje choro de alegria”, contou ele em entrevista exclusiva ao Famosidades.
Yuri vive em uma aldeia pequena, praticamente uma comunidade familiar, formada por 180 pessoas. Para ir à cidade, ele percorre cerca de 80 km em seu Corsa Sedan 98. Como já vivia da música antes mesmo de participar do programa, Yuri quase não ficava em casa. Ele passa no máximo 15 dias seguidos com a família, pois está sempre viajando para participar de festivais ou se apresentar em bares da cidade. E nesse período ausente, aumenta a saudade dos filhos Augusto Michel, de 6 anos, e Javier, de 1 ano e 5 meses, e da esposa, Marta de Amorim, de 24 anos. “Eu sempre sinto muita saudade da minha família, mas como sempre sonhei trabalhar como cantor, eles me apoiam para que eu consiga realizar esse sonho”, conta Yuri.
O cantor soube do programa por causa do “Vídeo Show”. “Eu vi a vinheta e me interessei. Pensei: ‘será que é verdade?’ Aí meu primo Jucélio me ajudou a fazer um vídeo e me inscreveu no concurso. Mais ou menos quinze dias depois, fui chamado para a audição em São Paulo”, contou, completando que jamais imaginaria que seria selecionado. “Quando recebi a carta dizendo que poderia participar da audição, meu coração se encheu”, disse.
Yuri sempre sonhou em participar de um reality show musical, mas, por ter 34 anos, achou que sua chance já havia passado. “A maioria dos programas só aceita candidatos até os 25 anos, então eu pensava que a minha porta já estava fechada, mas vi que ainda dava tempo de correr atrás do meu sonho”, explicou ele.
No palco, durante uma performance emocionante de “Sinônimos”, de Zé Ramalho e Chitãozinho e Xororó, por um momento o sonho pareceu despedaçado. “Cantei com todo o meu coração e fiquei esperando alguém virar. Na metade da música percebi que ninguém iria apertar o botão. Senti muito desespero, as pernas ficaram até moles. Mas segui em frente e comecei a cantar para o público”, conta ele, emocionado.

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Decepção à parte, o fato teve uma repercussão muito maior do que a esperada. “Minha insistência me levou a ser conhecido. Por mais que os jurados não tenham apertado o botão, o fato de eles terem ficado de costas abriu muitas portas para mim. O momento mais triste da minha vida se transformou em um momento de grande alegria”, contou.
Yuri não entende por que não foi escolhido, mas confessa que esperava entrar ma equipe de Daniel. “Talvez tenha sido por causa da semelhança com o Chitãozinho, que o Daniel disse que tenho. Como eles são amigos, pode ter achado que eu era uma imitação. Mas fiz um arranjo diferente, que tinha o meu jeito, não era uma imitação. Não sei o que passou na cabeça dos jurados, mas respeito a decisão deles”.
Lisonjeado com a campanha do público pela sua volta ao programa, Yuri revela que aceitaria voltar à competição se recebesse uma segunda chance. “O público está pedindo e se a Globo me desse essa oportunidade, eu voltaria, claro. Seria maravilhoso!”
O fim da participação na competição não representa o ponto final na carreira de Yuri. Motivado pelo apoio do público – e dos muitos fãs que já conquistou – ele está analisando alguns projetos e pretende gravar um CD.
Muitos críticos garantiram que a comoção do público e dos jurados após a eliminação de Yuri foi motivada apenas pelo fato de ele ser indígena. Ele, no entanto, discorda: “As pessoas viram a minha capacidade como cantor, mas também se emocionaram com a minha história e quiseram ver o meu potencial”.
Ele admite também que acreditava que o fato de ser indígena o ajudaria de alguma forma a se destacar na competição. “O mercado musical nunca teve um índio bem representado. Minha origem faz diferença, claro, mas eu canto músicas que falam de amor. E isso serve para todo mundo”, afirmou.
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