Imagem: Divulgação

Quem também divide este sentimento com Cecília é Orlando Drummond, o Seu Peru de “Zorra Total” (Globo). Dono de vozes como Popeye, Alf, o ETeimoso e Scooby Doo – a mais famosa de todas -, Orlando falou com o Famosidades por telefone e esbanjou disposição e gratidão à profissão. 

“Estou com 90 anos, indo para 91, maravilhosamente bem, com saúde mental e física. É o que peço diariamente a Deus. E continuo trabalhando. Não parei, porque não dá. Claro que não trabalho como antes, mas faço uma dublagem ou outra e ainda tenho o ‘Zorra Total’ com Seu Peru. Eu não entro sempre, porque eles vão me poupando pela idade. É bom, porque me permite ir ‘crescendo’ cada vez mais [risos]”, disse.

Pioneira da prática no Brasil, Orlando tem hoje a sorte e o orgulho de ver três netos seguirem seu caminho. “São eles Eduardo Drummond, de 10 anos, Felipe Drummond, de 24 anos, e Alexandre Drummond, de 19 anos. O mais novo é o melhor aluno no local onde estuda e os outros estão em faculdades distintas, mas fazem cursinhos de dublagem e entraram com tudo neste universo”, contou o avó babão.

Eduardo, ou Dudu Drummond está, inclusive, concorrendo ao Oscar da Dublagem o Prêmio Yamato, que acontece dia 10 de julho. O menino é responsável pela voz de Russell de “Up – Altas Aventuras”, e pode ganhar troféu como Revelação. “Eu fico bem orgulhoso de ver os meninos neste caminho. Só não me arrumaram uma menina. Às vezes brinco que quero trocar. Uma netinha é sempre gostoso também. Mas eles são crianças maravilhosas”, completou Orlando.

O início da carreira foi como contrarregra, e contou com ajuda de amigos como Paulo Gracindo, que enxergou o dom de Orlando em criar diversas vozes e o convidou para estrear neste universo. “Estou há 60 aninhos só trabalhando com TV e dublagem. Desde 1951. É a quantidade de anos que tenho de casado. E esse título ninguém me tira, graças a Deus”, contou o ator.

“Eu me sinto extremamente honrado por todos os trabalhos que já fiz. Estou até no Guiness Book pelo Scooby Doo, que fiz por 30 anos seguidos [Orlando entrou no Guiness Book em 2007 por dublar o personagem há mais de três décadas]. É um trabalho de tantos anos, e hoje, aonde quer que eu vá, todos pedem para que eu faça a voz. As crianças de ontem, de hoje e de amanhã”, declarou.

Apesar de amar o que faz, Orlando fez questão de pontuar que ainda considera a dublagem uma profissão muito “incerta”. “Tenho orgulho da grande profissão de ator de TV, rádio, show, mas dublagem não é emprego para ninguém. É mais necessidade, porque é muito inseguro. De repente para tudo e você fica na mão. Sobre meus netos, todos seguem outras barcas mais seguras. Quando eu era da Tupi, e eles estavam passando por problemas seríssimos, nós ficamos sem receber. Para minha sorte, eu fazia dublagem por fora. Por isso, também sou muito grato”, relembrou.

Mas e para dar certo? O que um dublador precisa além de dom? Sorte? Orlando tem a resposta: “Para tudo na vida é preciso sorte. No universo na dublagem é preciso qualidade também. Quem é bom sempre acaba vencendo. Prevalece quem tem um trabalho bom, que não é enganador. Na dublagem não tem vez quem engana”, finalizou o “mestre”.

Acompanhe o Famosidades no Twitter: http://twitter.com/Famosidades