

Guias Time Out: Sua melhor companhia de viagem para destinos internacionais e nacionais © Diogo Dória/Divulgação
Inspirada pelo festival do Brasil a Gosto, investigamos o melhor da cozinha de nossos colonizadores na cidade
A ‘gastronomia’ portuguesa é servida nas mesas por aqui há exatos 512 anos (completos em 22 de abril) e, se a nossa colonização é cheia de desgostos, duvido que alguém reclame do sabor de uma bacalhoada (na Sexta-Feira da Paixão e mesmo nos dias pagãos) ou consiga recusar os doces de gemas de ovos – que monges e freiras portugueses aprenderam a fazer para não desperdiçar parte do alimento, já que a clara era usada para engomar hábitos, clarificar vinhos e confeccionar hóstias. Em São Paulo, há muito os restaurantes (de nativos ou não) fizeram a viagem inversa e puseram a comida de Portugal no mapa da cena gastronômica da cidade.
A conquista mais recente é o Brasil a Gosto. Só pelo nome dá para adivinhar que o foco sempre foram os sabores dos colonizados, – as delícias do Acre, por exemplo, foram um tema mais recente – mas a chef Ana Luiza Trajano cruzou o Atlântico, ao lado do chef Vitor Sobral, do Tasca da Esquina (Al. Itu, 225, Jd. Paulista, 3262-0033. tascadaesquina.com/SP), para desenvolver pela primeira vez um menu estrangeiro na casa de comida brasileira. O resultado é um festival português com uma opção de petisco, uma entrada, duas sugestões principais e uma sobremesa. Um dos pratos é a açorda de camarão, à base de sopa, pão, coentro e frutos do mar como camarão e mexilhão (R$ 92). O menu degustação completo, com vinhos harmonizados pelo sommelier, custa R$ 230.
Onde as opções são lusitanas desde sua abertura, em julho de 2011, a filial brasileira do lisboeta Tasca da Esquina une a moderna gastronomia de Lisboa com um ambiente despojado, mesmo com detalhes rústicos, de madeira e tijolos aparentes. Embora, em nossa visita, o sucesso da casa tenha ‘pesado’ na performance do serviço – o ambiente estava cheio e o bacalhau ao forno estava frio –, após uma reclamação e uma vinda do chef à mesa, o prato servido com batatas e cebola estava delicioso.Bom como o clima charmoso de lá.
Muito diferente da filial do carioca Antiquarius (Al. Lorena, 1.884, Jd. Paulista, 3064-8686. antiquarius.com.br) em São Paulo, que aproveitou a herança forte dos portugueses na segunda capital do país e foi por anos o melhor lugar da alta gastronomia portuguesa no eixo Rio-São Paulo. Saíram dali alguns dos melhores profissionais que dominam o feitio de pratos portugueses em São Paulo. Executivos costumam invadir o ambiente austero do restaurante, discutindo negócios enquanto provam a divina cataplana de frutos do mar (R$ 126).
É o mesmo público que vai ao elegante A Bela Sintra (R. Bela Cintra, 2.325, Jd. Paulista, 3891-0740. abelasintra.com.br/sao-paulo). Resultado do investimento de um ex-gerente e de um ex-cozinheiro do Antiquarius, a casa também preenche bem o quesito sofisticação, embora, segundo alguns críticos da gastronomia da cidade, já supere o concorrente, pelo menos quando o assunto é o bacalhau a lagareiro (R$ 140).
Se a ideia é comer bem em um ambiente mais minimalista e menos caro (anote aí, menos caro, não barato), a dica é a Tasca do Zé e da Maria (R. dos Pinheiros, 434, Pinheiros, 3062-5722). Comece com o bacalhau à Beneditina (R$ 26) – o peixe desfiado com purê de batata gratinado e que vem em uma panelinha. Perfeito para quem gosta de bacalhau, mas nem tanto. O sabor é suave e dá para duas pessoas ‘petiscarem’ como entrada. De prato principal, o ravióli de coelho com ragu de cogumelos vai agradar os apreciadores de sabores caipiras (R$ 51). O gosto do recheio lembra os miúdos de galinha (fica o aviso). E os fumantes vão gostar da área externa reservada a eles, de longe o melhor espaço da casa.
E, por último, mas não menos indicado, o Bacalhoeiro com seu bacalhau a Gomes de Sá (R$ 69) ou o leitão da Barrada (R$ 88). Bom para quem quer fugir do circuito dos Jardins, mas não abre mão de beleza e opções variadas. A família toda pode acompanhar (a casa tem ótimo espaço para crianças), mas em um grupo menor ou um jantar a dois, peça uma mesa voltada para a rua, com vista para o jardim suspenso.
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