Ian Anderson, do Jethro Tull, recria "Thick As A Brick"

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Por Jeremy Gaunt

LONDRES, 3 Mai (Reuters) - Uma conversa com Ian Anderson - flautista, multi-instrumentista, fundador e símbolo da banda britânica Jethro Tull - é sempre surpreendente. Sim, fala-se de música, da turnê dos 40 anos de "Thick As A Brick", clássico do rock progressivo, e da sua sequência em 2012.

Mas o papo também desvia para flautas no espaço, um comentário sobre um porta-voz do governo de George W. Bush que morreu de câncer de cólon - e a importância dos exames de próstata.

Aos 64 anos, mais bem arrumado do que o frenético druida de antigamente, Anderson fala com desenvoltura e animação desse último assunto. Ele já perdeu muitos parentes e amigos por causa de cânceres de próstata e cólon.

Por isso, sua atual turnê pela Europa, Israel e EUA inclui um esquete que tenta convencer a plateia a fazer exames, além de alusões visuais a vítimas da doença, como o músico Frank Zappa.

"É uma mensagem muito séria", disse Anderson à Reuters, tomando uma cerveja em um bar de estação ferroviária. "Se eu levar duas (pessoas da plateia a fazerem exames), posso salvar vidas."

Mas que ninguém imagine que a atual turnê, também chamada "Thick As A Brick", seja séria demais ou "cheia de mensagens". Pelo contrário, trata-se de uma alegre celebração do rock progressivo dos anos 1970 - uma exagerada contemplação do próprio umbigo, misturada a execuções musicais frequentemente sublimes.

Foi o que seu viu recentemente no lotado teatro Hammersmith Apollo, em Londres, onde Anderson teve o acompanhamento de uma banda enxuta, incluindo um vocalista com voz virtualmente idêntica para ajudá-lo nos solos dobrados do original.

Com fôlego e agilidade impressionantes para sua idade, Anderson deu cambalhotas no palco, mantendo os trilados e efeitos da sua flauta por duas horas, e de vez em quando fazendo sua característica pose numa perna só.

A pegada era menos roqueira do que no Jethro Tull original, mas a galera curtiu mesmo assim. A segunda parte também agrada - a execução de "Thick As A Brick 2", que atualiza a história de 1972 para o século 21.

O "Thick" original, na verdade, era uma paródia dos álbuns progressivos da época, numa resposta a críticos que qualificaram um disco anterior da banda, "Aqualung", como um trabalho conceitual - algo que Anderson nega até hoje.

Mesmo assim, o álbum, que conta a história de Gerald Bostock, que aos oito anos escreve um poema épico, logo entraria para o panteão dos álbuns progressivos - inclusive pela capa do LP, mostrando um falso jornal. Anderson disse que "algumas pessoas entenderam (a paródia), algumas não."

O espetáculo - que é mais do que apenas um show de música - inclui projeções em vídeo, esquetes e paródias de vídeos do YouTube, os quais seriam inimagináveis na época em que o original era prensado em vinil.

(Reportagem de Jeremy Gaunt)