Maiores companhias de balé do mundo não impressionam no 'Benois'

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Por Nastassia Astrasheuskaya

MOSCOU (Reuters Life!) - As maiores companhias de balé do mundo saíram de mãos vazias esta semana de um dos concursos de dança mais prestigiosos do mundo.

O júri do 19o evento anual 'Benois de la Dance' premiou trabalhos de um casal belga e uma coreógrafa finlandesa, mas não deu prêmio algum aos balés do Bolshoi, o Balé da Ópera de Paris ou o American Ballet Theatre, no concurso realizado em Moscou esta semana.

'Posso afirmar que os balés clássicos, dos quais a Rússia tem o maior número, apresentados este ano não tiveram qualidade suficiente para representar o balé clássico de hoje', disse à Reuters o jurado Sergei Filin, diretor artístico do Balé de Bolshoi.

O prestigioso prêmio liderado pela Rússia, fundado em 1991 pela Associação Internacional de Dança e promovido sob o patrocínio da Unesco, atrai os melhores bailarinos e coreógrafos do mundo e ganhou fama de adotar uma abordagem incomumente liberal à dança.

Mas o júri multinacional não indicou um único coreógrafo russo este ano, e apenas um dançarino russo levou um prêmio para casa: Semyon Chudin, do Teatro Stanislavsky, de Moscou.

'Houve muita coisa feita aqui (na Rússia), mas nada de interessante', disse Yuri Grigorovich, de 84 anos, coreógrafo chefe do Bolshoi por mais de 30 anos, presidente do júri e fundador do prêmio.

As maiores companhias de balé do mundo ficaram para trás porque não dão lugar sobre seus palcos para o tipo de experimentalismo ousado que é valorizado pelo concurso, disseram jurados. Pior ainda, disseram, as maiores companhias de balé começaram a parecer-se umas com as outras.

'Nos 19 anos desde que o concurso começou, todas as trupes começaram a se assemelhar. Elas apresentam os mesmos coreógrafos: sempre Balanchine, sempre Forsythe', disse à Reuters a diretora artística do concurso, Nina Kudryatseva-Loory.

'As trupes começam a perder sua individualidade. É uma pena. Os teatros Bolshoi e Mariinsky, o Balé da Ópera de Paris, todos precisam de algo que os distinga dos outros. Hoje, apenas o tamanho das companhias as diferencia.'

Enquanto isso, os premiados transformaram o palco do Bolshoi, tradicionalmente clássico, em um espaço de dança livre e moderna.

Na dança premiada, 'Babel', uma dançarina de topless emerge aparentemente da caixa torácica de seu parceiro, representando o nascimento bíblico da mulher. A coreografia é de Cidi Larbi Cherkaoui e Damien Jalet, que ganharam o prêmio de melhor coreografia.

Kudryavtseva-Loory disse que, cada vez mais, são influências asiáticas e árabes que começam a liderar na competição anual.

'A arte reflete as mudanças sociais globais. Quanto mais forte se torna a influência dos países asiáticos e árabes, maior o lugar que eles ocupam na arte', disse ela.

Como que para comprovar a observação, a primeira bailarina chinesa Zhu Yan recebeu o prêmio de melhor bailarina por seu papel em 'Outrenoir', do tcheco Jiri Bubenicek.

Yan dividiu o prêmio com Bernice Coppieters, de Monte Carlo, que apareceu como dominatrix, de corselete e nas pontas dos pés, elevando-se sob um parceiro de aparência fraca, que usava saia bufante.